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De uns tempos pra cá tenho ficado cada vez mais fascinado por times pequenos e suas histórias construindo produtos grandiosos. Desde que conheci o movimento dos micro-SaaS e a descoberta de heróis como Pieter Levels e Danny Postmaa tenho batido muito nessa tecla. Esse assunto foi tão recorrente que até gravamos um episódio do Pato de Borracha falando sobre isso.
Resolvi escrever sobre o assunto depois de ler uma entrevista do Peter Yang com Scott Belsky (dois Substacks muito bons, inclusive) falando sobre o “colapso do stack de talentos”.
O “stack de talentos” pode ser entendido como o conjunto de habilidades que uma pessoa ou time tem. Belsky chama esse “colapso do stack de talentos” o efeito de uma pessoa possuir várias habilidades necessárias para realizar múltiplas funções dentro de uma organização. É quando o líder de produto é bom em copy, ou o designer sabe programar ou o engenheiro entende de growth. Ou seja, uma pessoa tem mais de um talento necessário para criar produtos e pode assumir múltiplas responsabilidades.
Times pequenos tem uma vantagem enorme em relação a times grandes. Essa vantagem vem dos ciclos de feedback mais acelerados e menos falhas na comunicação.
Coisas mágicas acontecem quando você tem um time pequeno com o stack de talentos certo para produto. Essa magia é um produto que simplesmente funciona de ponta a ponta. Todo mundo que já trabalhou em uma startup early stage entende o que eu quero dizer. É a magia dos “velhos tempos”, quando as decisões eram tomadas em um estalar de dados e os deploys não paravam de acontecer.
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Em contraste, conforme as empresas crescem, a tendência é a especialização das pessoas com o crescimento dos times. Essa fragmentação faz com que quem escreve o copy esteja afastado de quem faz a pesquisa, quem escreve o código não tenha ideia do processo de design, e assim por diante. Além disso, são necessárias pessoas extras para coordenar o restante do time agora que a comunicação é muito mais complexa. O resultado são produtos que começam simples e se tornam complexos com o tempo.
Ter um time de poucas pessoas generalistas é superpoder pouco falado de qualquer startup. É assim que se torna possível derrotar os incubentes. É assim em todas as histórias de Davi e Golias da era da tecnologia.
Seguem alguns exemplos de times pequenos que fizeram produtos grandiosos:
O ciclo ecônomico atual com dinheiro mais escasso a incansável busca pelo Santo Graal do Product Led Growth torna essa discussão mais relevante do que nunca. As companhias precisam resolver o dilema de ter times mais enxutos que construam softwares melhores.
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Em um mundo engolido pelo software, a competição está cada vez mais acirrada e criar produtos vencedores passa por entregar uma experiência de usuário superior. Times fragmentados pela super especialização tem mais dificuldade em criar essas experiências, o que pode ser explicado pela Lei de Conway.
Aqui na 37signals vejo diariamente a solução desse dilema. Nossos times de produto tem no geral duas pessoas, não mais do que três. E sabe o que acontece quando achamos que algum projeto não pode ser feito por um time de duas pessoas? Mudamos o projeto! Reduzimos ou repensamos.
Nossa forma de pensar e construir produtos permitiu que o Basecamp tivesse duas décadas de lucratividade e uma base com centenas de milhares de clientes. Tudo isso em uma indústria hiper competitiva e com um time de 20x menor que os concorrentes.
Por isso, lembre-se: Quando falamos de times, pequeno não é menos. É mais. Mais rápido. Mais coesão. Mais qualidade.
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